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Crómio e glicose no sangue — o que se pode dizer sobre isso

Atualizado: setembro de 2026

Quem lê a embalagem de um suplemento com crómio depara-se com uma frase numa linguagem curiosamente prudente: «O crómio contribui para a manutenção de níveis normais de glicose no sangue.» Não soa a publicidade — e não o é. É uma citação.

De onde vem esta frase

Na União Europeia um fabricante de alimentos ou suplementos não pode escrever a seu critério o que o seu produto faz. Só são permitidas as alegações de uma lista comum, introduzida pelo Regulamento (UE) n.º 432/2012. Cada entrada foi antes avaliada pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Para vitaminas e minerais as alegações têm de corresponder à lista da UE e cumprir as suas condições de utilização. Caso à parte são as substâncias vegetais: o estado de parte dessas alegações continua por resolver na UE.

Para o crómio a lista contém duas alegações: sobre a manutenção de níveis normais de glicose no sangue e sobre o normal metabolismo dos macronutrientes. Ambas podem ser usadas se o produto for pelo menos «fonte de crómio» — ou seja, fornecer 15 % do valor de referência do nutriente (6 µg) por porção.

O que a frase diz — e o que não diz

  • «Normais» significa: dentro do intervalo habitual. A alegação não promete baixar valores elevados nem tratar uma doença.
  • «Contribui» significa: participa. O crómio é uma peça entre muitas — alimentação, exercício, sono e peso corporal pesam mais.
  • «Manutenção» significa: conservação de um estado, não mudança. Quem já está fora do intervalo normal precisa de uma avaliação médica, não de um suplemento.

Porque é que o crómio tem, ainda assim, um papel

O crómio é um oligoelemento. O organismo precisa dele em microgramas e depende de que chegue com regularidade através dos alimentos. Boas fontes são os cereais integrais, as leguminosas, os frutos secos, os brócolos, a carne e a levedura de cerveja. Na refinação de cereais e açúcar o teor diminui — por isso uma alimentação com muita farinha branca e doces fornece menos crómio do que uma com integrais e legumes.

O valor de referência do nutriente para adultos é de 40 µg por dia (Regulamento (UE) n.º 1169/2011). É a este valor que se refere a menção «% VRN» nos rótulos.

Picolinato e outros compostos

Nos suplementos alimentares o crómio só pode ser usado em determinados compostos; a lista está no anexo II da Diretiva 2002/46/CE. O picolinato de crómio faz parte dela, tal como o cloreto de crómio (III) ou a levedura enriquecida com crómio. No rótulo conta a quantidade de crómio elementar, não a do composto.

O que isto significa para um produto como o Gluconix

O Gluconix contém 40 µg de crómio por cápsula — 100 % do valor de referência do nutriente — e pode por isso ostentar ambas as alegações. Os quatro extratos vegetais na mesma cápsula não têm nenhuma alegação autorizada; sobre eles um vendedor pode descrever origem e tradição, mas não prometer efeitos. É exatamente isso que fazemos na página do produto.

Como verificar pessoalmente

A lista de alegações autorizadas é pública. A referência ao Regulamento 432/2012 encontra-a na secção «Fontes» da página principal. Da próxima vez que um produto lhe prometer mais do que esta lista permite, saberá que o autor inventou o texto.